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Maria D’Arienzo

Artigos

Tudo começou quando eu nasci

A liberdade que procurei pelo caminho e a vida que construí enquanto a buscava

Tudo começou quando eu nasci, risos!

2 de outubro de 2026

Estava refletindo sobre minhas memórias outro dia e percebi que, desde que me entendo por gente, procuro o real sentido da vida.

Quando eu era pequena, olhava para a minha infância pobre, com pai alcoólatra e mãe sofrida, e não conseguia compreender aquilo como vida.

Na adolescência, com os pais já separados, eu não conseguia aceitar que tudo tivesse que se resumir a acordar, limpar a casa, cozinhar, cuidar dos irmãos para minha mãe trabalhar e esperar o tempo passar.

Não! Eu precisava estudar!

Eu queria demais criar uma vida diferente para mim.

De alguma forma, sabia que, se conseguisse isso, teria uma chance de fazer diferente do que fizera minha mãe, que eu via sempre reclamando da vida como se sofrer fosse o seu carma.

Não! Eu definitivamente não queria aquilo para mim.

Eu sonhava com a minha liberdade, achando que o tempo fosse trazê-la para mim. Queria ter 18 anos logo, mas, aos 16, fui à luta procurar emprego enquanto cursava o técnico de Secretariado, profissão que escolhera para ganhar meu próprio dinheiro e, com meus esforços e talentos, me realizar e ser feliz.

O princípio que me movia era a liberdade.

E eu achava que o estudo, o trabalho e o dinheiro eram os meios ideais para conquistá-la naquele momento da minha vida.

E assim foi.

Comecei como auxiliar administrativa aos 16 anos e, aos 24, já era secretária do presidente de uma multinacional.

Só que, entre o sonho e a realidade, existe o caminho. E nele estão as pedras que precisam ser coletadas para a construção do mundo que se idealizou.

Aos 24 anos também me casei porque, novamente, queria a minha liberdade. Confesso que a convivência com minha mãe era um grande desafio que, em um futuro não tão distante, acabou sendo deslocado para um relacionamento conflituoso, encerrado após 17 anos de tentativa de convívio.

A parte boa foi a felicidade de ser mãe de duas almas preciosas que Deus me confiou para guiar.

No mais, foram anos vivendo no piloto automático de uma alma que se aprisionou no esquecimento de si mesma, enquanto, pouco a pouco, eu fazia um longo processo de descida ao fundo do meu próprio vale para resgatá-la. E aquele relacionamento, no qual projetei tantas das minhas culpas e dos meus medos, também fez parte desse caminho.

Com a separação, virei a chefe da família e decidi retomar o meu sonho de estudar.

Desde os 33 anos estudava Astrologia e, aos 40, consegui realizar o sonho de me sentar pela primeira vez no banco de uma faculdade para cursar Psicologia.

Eu sonhava em ajudar pessoas a lutarem por seus sonhos, assim como eu.

Prestei o vestibular e passei!

Assim, como mágica de quem sonha e luta para transformar o seu sonho em realidade.

Foram sete anos entre graduação e pós-graduação, enquanto meus filhos, na puberdade e adolescência, cresciam.

Fase difícil aquela.

Foram anos de múltiplos sentimentos de amor e dor, na tentativa de me dividir em múltiplas faces: secretária executiva, mãe, estudante universitária e astróloga nas horas vagas, enquanto construía o plano B da minha carreira.

Mas, olhando para trás, me vem um sentimento tão profundo de fé e superação que me faz olhar para frente com a confiança de que sim:

Tudo começa quando nascemos.

Chegamos aqui prontos, em formato de semente, e cabe a nós cuidar dela com amor até que consiga romper a casca e florescer.

Os frutos dessa árvore são o nosso legado.

Eu quero deixar o exemplo de uma pessoa que nasceu para transformar o seu vazio em um sem-fim de experiências até conseguir compreender que a plenitude sempre foi a base para todas as suas escolhas e conquistas.

E, quando olho para aquela menina que queria crescer logo porque acreditava que a liberdade estava em algum lugar do futuro, percebo que ela já carregava dentro de si a semente de muita coisa que ainda levaria uma vida inteira para compreender.

Talvez você também tenha uma história assim.

Não igual à minha. A sua.

Talvez existam sonhos que nasceram quando você ainda nem sabia dar nome a eles. Escolhas que pareciam falar apenas de trabalho, dinheiro, casamento, filhos ou sobrevivência, mas que hoje, olhando para trás, revelam uma busca muito maior.

Então, antes de pensar apenas no legado que ainda pretende deixar, olhe para a vida que você já viveu.

O que a criança que você foi desejava encontrar no mundo?

Quanto desse desejo ainda participa das escolhas que você faz hoje?

E o que a história que você está construindo contará sobre quem você escolheu se tornar?

Porque o legado que deixaremos nasce da semente que se desenvolve e cresce ao longo da vida.

E você? Qual é o legado que quer deixar para este mundo?

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