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Maria D’Arienzo

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De onde vem esse medo todo que eu sinto?

Eu sou a Maria D’Arienzo, possuo sessenta e cinco anos de histórias para contar. Sou graduada em Psicologia pela UniFMU em 2002.

De onde vem esse medo todo que eu sinto?

24 de abril de 2018

De onde vem esse medo todo que eu sinto?

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Eu acredito que muitas vezes nos fazemos esta pergunta na vida, que vaga em nossa mente sem uma resposta clara e honesta sobre a sua origem em nossa história.

 

Quando nascemos somos amparados pelos nossos pais e pessoas com a função de cuidar da nossa segurança para que tomemos cuidado para não colocar o dedo na tomada, não chegar perto do fogão, não subir nos parapeitos das janelas, e toda a infinidade de cuidados que uma criança que não tem noção de perigo, precisa para que não se machuque.

 

No entanto, quando crescemos, parece que o medo aprendido cresce junto com a gente, ganhando um poder monstro sobre nós. Um medo que bloqueia, impede e trava a percepção e a vida.

 

Agora, você conhece algum ser humano que não tenha medo? Mesmo que a pessoa negue, o medo é parte da nossa psique e estará presente, mesmo que de forma inconsciente. Portanto, não dá para deixar a vida nos levar, porque estamos inseguros e temerosos de que nossos esforços podem não alcançar os resultados que esperamos. Mas parece que é bem mais fácil aceitar o sofrimento de viver com medo do que dissolvê-lo na luz do autoconhecimento. Afinal, temos medo de que? O que exatamente nos causa pânico?

 

E para esta pergunta eu tenho uma resposta assustadora. Temos mais medo da nossa luz do que das nossas sombras. É a nossa luz e não a nossa obscuridade que nos assusta. Viver imerso na escuridão com a qual já estamos acostumados é mais suportável do que passar por um processo de iluminação.

 

Iluminar-se quer dizer ver além das ilusões do ego. É conseguir compreender que nossas frustrações, culpas, sentimentos de fracassos são oriundos de uma inconsciência do nosso verdadeiro poder. É falta de vida no momento presente e excesso de ideias que não se materializam por falta de empenho, força e determinação de vencermos o medo de errar.

 

Nenhuma criança aprende a andar sem cair vários tombos. E antes disso, ela se rasteja até ganhar força para ficar em pé. E não tem nada de errado nisto! O problema é que quando a gente cresce, o ego nasce e com ele vem a necessidade de controle e julgamento como filtros de nossa percepção da vida. E daí, deixamos de ser ingênuos, humildes e ávidos por correr riscos. Passamos a querer tudo do jeito certo, não gostamos de ser contrariados e a nossa vontade torna-se suprema, deixando a nossa força de aprendizagem relegada ao inconsciente. E assim, passamos a viver esquecidos de quem realmente somos ou nascemos para ser.

 

Desbancar nosso ego é sinônimo de morte. Sim! É isto que sentimos quando enfrentamos o nosso despertar. É isto que sentimos quando percebemos que para renascer limpos destes medos precisamos morrer para o ego e viver para a nossa verdadeira identidade. É ter a consciência de que estamos fazendo tudo errado, porque escolhemos ouvir a voz que grita e não a voz que sussurra em nosso coração, que pede: “ame ao próximo como a ti mesmo”. Logo, se não estamos sendo capazes de ouvir nossa alma que clama pelo nosso amor próprio, como poderemos amar ao outro?

 

Amar, em primeira instância, é aprender a perdoar nossos enganos. É saber que além daquele grito, há outro coração com uma voz que sussurra e pede amor.

 

Compaixão é exatamente isto, amar e compreender o tempo que cada um tem para aprender a ouvir seu coração. Enquanto isto, sigamos tentando abrir vagarosamente nossos olhos até que possamos aceitar a luz que nos ilumina sem que possamos querer enxerga-la.

 

 

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